quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Pacientes são entubados sem sedativos

Os efeitos das medidas emergenciais anunciadas há 41 dias, pelo Governo do Estado, para melhorar o atendimento hospitalar na rede pública ainda são tímidos e pouco mudaram a situação de escassez, improvisos e sofrimentos no Hospital Walfredo Gurgel. Na tarde de ontem, 103 pacientes estavam distribuídos em macas pelos corredores - 48 deles eram da ortopedia - a espera de vagas para transferência. No Centro de Recuperação de Operados (CRO), outroa 10 pacientes em macas. E, na Reanimação, 17 estavam entubados sem receber qualquer tipo de sedativos e também à espera de vagas em UTI's. Segundo a direção do HWG, os problemas no desabastecimento da farmácia - outro item em falta eram anestesias peridural para pequenas cirurgias - deverão ser superados em setembro.
A situação presenciada pela equipe de reportagem e relatada por médicos plantonistas é crítica - "apesar do decreto".

Pacientes no setor de reanimação permaneciam entubados - com ventilação mecânica - sem uso de sedação. "Temos hoje 17 pacientes entubados, na reanimação - que foi transferida para outro setor com a interdição do Cremern - nessa situação. Entubados e conscientes por falta da medicação", afirmou o médico plantonista Francisco Braga.

O desabastecimento afetou também a realização de cirurgias. Sem anestesia local, todos os pacientes são obrigados a receber a anestesia geral, independente do tipo de cirurgia. A medida, entretanto, não traz qualquer prejuízo aos pacientes, garante o plantonista Francisco Braga.

O problema seria no intervalo para atendimento entre os pacientes, que passa a ser maior, devido ao efeito da anestesia geral - cerca de uma hora. "Para receber novos casos, os médicos precisam observar o paciente. Enquanto com a peridural, já libera em seguida, para fazer o outro atendimento", disse.

Plantonistas do Centro Cirúrgico, que prefiram não se identificar, informaram que o lote de anestesia peridural estaria vencido.

Outra medida prevista no Plano de Ações e ainda não viabilizada é a criação dos leitos de retaguarda. Os 17 pacientes entubados na reanimação aguardam vagas de UTI para serem transferidos. Na UTI cardiológica, dos dez leitos, quatro estão inativos por falta de aparelho.

Nos corredores dos diversos setores, 103 pacientes estavam acomodados em macas à espera de leitos. Destes, 48 eram da ortopedia e aguardavam transferência para  outras unidades. Outros 18 casos de "pés diabéticos" esperavam pela liberação no Hospital Ruy Pereira. Segundo informações da Unidade de gerenciamento de Vagas (UVG), o Município, responsável pela pactuação com a ortopedia de baixa e média complexidade, informou que não há vagas nos hospitais credenciados (Hospital Memorial e Médico Cirúrgico) para a transferência.

O Centro de Recuperação de Operados do HWG - onde ficam os pacientes recém-cirurgiados -  funcionava acima da capacidade. Além dos nove leitos, outras dez macas se apertavam na unidade e  corredor.  "É na base do improviso, não são as condições ideais mas é o que podemos fazer para dar a assistência e minimizar o sofrimento", disse outro plantonista.



Fonte: Tribuna do Norte

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