quarta-feira, 18 de julho de 2012

Nando Parrado, um sobrevivente do Andes

Uma palestra que vai falar sobre a importância de se valorizar a vida. Esse será o objetivo do uruguaio Fernando Seler Parrado Dolgay, Nando Parrado, para o Seminário Internacional de Liderança, que vai acontecer nesta quarta-feira (18) no Teatro Riachuelo. Com 62 anos de idade, ele demonstrou, durante a entrevista para o Nominuto.com, simpatia, bom humor e que aproveita a vida a cada minuto que se passa.

“A vida é confundida com o dinheiro, lazer e as coisas materiais e isso não é tão importante. As pessoas têm que dar importância à família, os amigos, os cachorros e depois, as empresas”, comentou.

Nando afirmou que quer fazer uma palestra diferente, será bastante rápida, mas que vai deixar uma lição especial. “Minha expectativa [para o evento] é conhecer os natalenses e quero compartilhar com eles as minhas experiências de vida. Quando uma pessoa passar por dificuldade, este vai se lembrar de mim”, respondeu o empresário.

Parrado quer estimular as pessoas a correrem atrás dos seus objetivos e não ficarem esperando pelo dia de amanhã, pois ele teve que fazer isso ao ter sobrevivido um acidente de avião em 1972, na época tinha 22 anos. Nando comentou que até hoje os montanhistas questionam como ele e seus amigos conseguiram sobreviver.

Ele e os amigos do time de Rugby, esporte que praticava desde criança, iriam viajar ao Chile para participar de um campeonato. A sua mãe e irmã foram lhe acompanhar. Durante a viagem, o piloto falhou e o avião caiu na Cordilheira dos Andes. O uruguaio explicou que o acidente foi muito rápido.
“Quando acordei, eu percebi qual era o problema. Eu fui muito pragmático e minha meta era sair daquele lugar. Fechei a barreira dos sentimentos para pensar somente como iria sobreviver na Cordilheira do Andes. A gente pode sobreviver no mato, mar e deserto, menos nas montanhas”, comentou o uruguaio. O frio (a temperatura era -35 ºC), a fome e sede eram seus grandes inimigos.

Ele disse que o pior de ficar nas montanhas era à noite, pois era bastante escuro e silencioso. “Eu só escutava a respiração”, comentou. A tortura psicológica era constante e que o medo ficava preso nele e nos outros sobreviventes. Nando Parrado compara o seu medo com uma pessoa condenada à morte. “O medo foi a pior coisa que aconteceu. É a mesma sensação de uma pessoa que foi condenada à morte pela guilhotina”, analisa.
Para beber, eles tinham que catar pedras de gelo para saciar a sede. Mas, isso deixava feridas na boca e assim, dificultava o consumo de líquido. Sobre a comida, no inicio eles se alimentaram de chocolates e guloseimas que foram levadas para viagem. Porém, esses alimentos chegaram ao fim e eles tiveram que fazer uma difícil decisão: comer carne das pessoas que morreram.

Sobre esse assunto, ele disse que não se arrepende em nenhum momento de ter feito isso, pois foi uma das causas dele ainda continuar vivo, após 72 dias preso no Andes. Ele compara essa atitude com a doação de órgãos no qual órgãos de pessoas falecidas são colocados em outras pessoas para que elas continuem a viver.

“Assim como as pessoas falecidas que doam órgãos para salvar outras vidas, as pessoas que morreram deram a oportunidade de dar vida para a gente”, disse Nando, que garantiu que não sofreu preconceito da população e autoridades por essa ação.

Depois de ter sofrido duas avalanches, ele e mais dois amigos resolveram descer a montanha e caminhar até encontrar uma civilização. Após dez dias, no dia 22 de dezembro de 1972, Nando e amigos encontraram camponeses chilenos e eles ajudaram a informar ao Serviço Aéreo de Resgate que ainda tinha vitimam vivas. O serviço tinha interrompido a buscas, por achar que eles estavam mortos.

“Eu não fui resgato, fui eu que me resgatei e os outros que estavam lá”, explicou. Ao ser questionado se ter esse espírito de liderança era fácil, ele explicou que sim e que essa sua atitude era simples.

Após o acidente, Nando se tornou empresário, casou, teve duas filhas e em 2006, ele fez um livro chamado “Milagre no Andes” no qual conta toda a história do acidente e foi traduzido para 15 idiomas. “Se eu morro, a vida vai continuar. Ela não termina quando alguém morre, nunca”, disse.

Parrado comentou que fez um livro para falar ao pai, que havia completado 90 anos, o que ele viveu durante esses meses preso na Cordilheira dos Andes. “A história do livro é uma conversa de filho para pai”, explicou.

Ao ser questionado se ele voltou ao local, ele disse que sim e havia deixado flores para sua mãe, irmã e amigos que morreram. Nando comentou que ainda mantém contato com os outros 15 sobreviventes. “A gente era amigos antes, durante e depois do acidente. Nós somos muito durões”, brincou.

O acidente trouxe uma lição para Nando. A pessoa não pode ficar parada, tem que lutar para atingir os seus objetivos. Além disso, ele disse que vê a vida com outros olhos e que isso ajudou a melhorá-lo. “A minha vida é fantástica, principalmente depois de 40 anos [depois do ocorrido]”, comentou.

Fonte: No Minuto

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