domingo, 22 de julho de 2012

Dom Eugenio Sales: um príncipe da Igreja

- Etimologicamente, a palavra príncipe vem do latim princeps e significa o que vem primeiro, o que precede. Não apenas na ordem cronológica e ritual, mas sobretudo, aquele que antecede, porque cria, descobre, aponta e sugere
A tradição eclesiástica denomina os cardeais de Príncipes da Igreja, título criado por Bonifácio VII, cujo pontificado decorreu entre 1294 e 1303. Anteriormente, já haviam sido distinguidos por Nicolau I (858-867) com a precedência diplomática sobre os arcebispos e bispos. Inocêncio IV (1243-1254) os revestiu com a cor púrpura e lhes impôs o barrete vermelho. Finalmente, Urbano VIII (1623-1644), conferiu-lhes o tratamento de eminência reverendíssima, acatado por todos os países que mantêm relação diplomática com a Santa Sé. O protocolo do Vaticano prevê que sejam recebidos como os príncipes das casas imperiais e reais.
Ao longo da história da Igreja, criaram-se três ordens cardinalícias. Os cardeais bispos, que são os titulares de seis dioceses circunvizinhas de Roma. Em geral, prelados que ocupam postos nos dicastérios (congregações e secretarias) do Vaticano. Seguem-se os cardeais presbíteros, responsáveis por algumas igrejas e basílicas romanas. Dom Eugênio era cardeal presbítero da Igreja de São Gregório VII. Paulo VI nomeou-o, no consistório de 28 de abril de 1969, tornando-se cardeal primaz do Brasil, pois, nessa data, era arcebispo metropolitano de Salvador, na Bahia. Em 1971, foi transferido para a arquidiocese do Rio de Janeiro, conservando a mesma titularidade cardinalícia, apesar dos arcebispos cariocas, por tradição, ocuparem a igreja de São Bonifácio e Santo Aleixo, em Roma. Pela antiguidade, tornou-se cardeal proto-presbítero entre os 155 pares. Vale ressaltar que há também 45 cardeais diáconos e três cardeais patriarcas das igrejas orientais, que detêm o título de igrejas romanas.
Hoje, no mundo, somam 208 os príncipes da Igreja. São os eleitores do papa no conclave, exceto os que completaram 80 anos. A distinção das ordens é histórica. De acordo com o estado clerical, eram titulares de uma igreja episcopal, presbiteral ou diaconal. Nos séculos passados nem todos os cardeais eram sacerdotes e bispos. Alguns eram líderes cristãos e conselheiros dos papas. É evidente que em certos momentos, houve interferência política. Lembremo-nos dos cardeais Mazarino e Richelieu.


Fonte: Tribuna do Norte

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