terça-feira, 3 de maio de 2011

Mãe de 27 anos, moradora de Goiás, dá à luz mesma filha duas vezes

Após transplante, Rayssa aparece sorridente para a felicidade da mãe
Greize Rodrigues Mendes, de 27 anos, ainda não consegue acreditar que foi capaz de salvar a vida da filha, de apenas oito meses.

O "milagre", como ela chama, ocorreu no dia 23 de fevereiro, quando o quadro clínico de Rayssa já era bastante crítico.

Tudo começou 20 dias após o nascimento da bebê. Greize, que já era mãe de outras duas meninas, de 7 e 2 anos, percebeu que a caçula estava com sintomas de icterícia (pele amarelada devido ao excesso de bilirrubina no sangue). A bilirrubina é um pigmento gerado pelo metabolismo das células vermelhas. Quando sua produção é maior do que a capacidade do fígado de metabolizá-la, a criança fica ictérica. “No início eu tratava em casa, com banho de sol, mas percebi que estava aumentando e resolvi levá-la ao pediatra”.

O primeiro exame mostrou que a quantidade de bilirrubina estava muito acima do normal. “Depois de fazer um ultrassom e repetir o exame, a médica encaminhou minha filha para Goiânia [ela mora na cidade de Anápolis, em Goiás] e lá a Rayssa, que já estava com quase três meses, passou por novos exames onde foi descoberto que ela estava com desvio nas vias biliares”, conta.

Depois do diagnóstico, a menina passou um mês hospitalizada até que os médicos decidiram realizar a primeira operação para desobstruir os canais. “No centro cirúrgico, quando abriram a barriguinha dela, perceberam que a Rayssa já estava com cirrose [doença crônica do fígado que se caracteriza pela formação de nódulos que bloqueiam a circulação sanguínea] e, por isso, só puderam retirar um pedaço do fígado para que uma segunda biópsia fosse feita”.

Com a gravidade da situação, Greize foi encaminhada para São Paulo para tentar um transplante para a filha. As duas chegaram à capital no dia 22 de dezembro de 2010. “Até então eu não sabia que eu poderia ser a doadora porque o sangue dela é B+ e o meu é B-. Quando a médica me disse que o que importava era a letra foi a maior alegria da minha vida”, diz.

Deste dia em diante, mãe e filha iniciaram uma bateria de exames em meio às fortes dores que a criança sentia devido à grande produção do líquido ascítico, presente na cavidade abdominal em quantidade anormalmente aumentada. “A barriga dela cresceu muito, dava desespero de ver. A minha impressão era de que a qualquer momento tudo aquilo iria explodir por dentro. Sempre que passávamos pelo ambulatório esse líquido precisava ser retirado e em uma das vezes, como estava infeccionado, ela passou sete dias tomando antibiótico, o que atrasou ainda mais a operação”.

Passados dois meses, finalmente, Rayssa recebeu o fígado da mãe. “Foi a maior felicidade porque pude dar à luz duas vezes: quando ela nasceu e agora, no dia 23 de fevereiro de 2011, doando parte do meu fígado”, lembra emocionada.

Agora, a expectativa da mãe gira em relação da alta médica, afinal já são quatro meses longe das outras duas filhas e do marido. “Não estou aguentando mais. Mãe sofre muito. É só eu falar delas que já começo a chorar. A mais velha sente falta, mas entende melhor, agora com a mais nova, de 2 anos, eu fico com o coração na mão. Todos os dias falo com elas por telefone, mas a vontade é poder estar perto, não tem jeito”.

Greize e Rayssa estão hospedadas na casa Hope aguardando a liberação para voltar para casa. Como não pode fazer nenhum esforço, a mãe passa o dia cuidando da menina e contando os segundos para rever a família.

“Tudo o que passamos foi uma lição de vida muito grande. Graças a Deus estamos tendo uma ótima assistência aqui, então só tenho a agradecer pelas pessoas que cruzaram nosso caminho”, finaliza.

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